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{{Pedofilia}}
O  '''activismo pedófilo'''<ref name="young">{{citar jornal|autor=Mary De Young |data=1988|titulo=The indignant page: Techniques of neutralization in the publications of pedophile organizations |jornal=Child Abuse & Neglect|volume=12|numero=4|paginas=583-591|editora= Elsevier Science Ltd.|url=http://www.sciencedirect.com/science?_ob=ArticleURL&_udi=B6V7N-45Y6MV9-H&_user=10&_coverDate=12%2F31%2F1988&_alid=774419265&_rdoc=3&_fmt=high&_orig=search&_cdi=5847&_sort=d&_docanchor=&view=c&_ct=3&_acct=C000050221&_version=1&_urlVersion=0&_userid=10&md5=7e1ff57dcb6e163bc7037434e7db7f1e}} </ref> é hoje um movimento de importância marginal, que esteve mais em voga entre as décadas de 1950 e 1990, e atualmente é mantido exclusivamente por ''websites''. Segundo um de seus defensores, Frits Bernard, o movimento advoga a aceitação social da atração [[sexo|sexual]] ou romântica de [[adulto]]s com [[criança]]s, e consequentes actividades sexuais, pretendendo, para esse fim, provocar mudanças sociais e judiciais como a mudança da [[idade de consentimento]] para idades mais infantis e  a não categorização da pedofilia como doença mental <ref name="young"/>. Outro de seus defensores, Tom O'Carroll, escreveu um livro ( ''Paedophilia: The Radical Case''. Peter Owen, London, 1980.) em defesa da pedofila, agora esgotado. Mais tarde  O'Carroll foi preso e condenado na [[Grã-Bretanha]] por ''"conspiração para corromper a moral pública"'' e, posteriormente, foi também condenado à prisão por produzir pornografia infantil. Os objectivos desse movimento são repudiados pela [[opinião pública]] e pelo [[Código Civil]] e, na prática, a idade em que esta crítica se aplica varia de país para país {{carece de fontes|data=Dezembro de 2008}}. No [[Brasil]] é absoluta (''juris et de jure'') a ''presunção de violência'' em qualquer tipo de sexo praticado com menores de 14 anos. Em [[Portugal]] pelo sistema judicial actual a idade passa para 16 anos.{{carece de fontes}}

Atualmente, a pedofilia é  unanimemente considerada uma [[doença mental]] por toda a comunidade científica institucionalizada e os actos ligados à pedofilia são considerados como crime na quase totalidade do mundo, existindo considerável consenso de que a aproximação sexual entre adultos e crianças é abusiva e vitimizante <ref name="young"/>.

O movimento é também chamado por alguns de '''''Childlove Movement'''''<ref>Referência em [http://www.midwestoutreach.org/Pdf%20Journals/2002/02fall.pdf Midwest Christian Outreach, Inc. Journal - Vol. 8 n. 3]</ref><ref>Referência em [http://www.comunicazioni.it/it/Files/6/9/codice_internet_e_minori.pdf Ministero delle Comunicazioni - Fondazione Ugo Bordoni]</ref>, embora outros disputem essa equivalência. O termo ''female Childlove'' refere-se ao relacionamento entre mulheres adultas e crianças (de qualquer sexo).

== Definição de pedofilia ==
A definição de pedofilia é fundamental para o estudo e a compreensão das reivindicações dos ativistas pedófilos, pois ela pode variar segundo o país, o idioma e o critério utilizado.<ref>Ames, Ashley; Houston, David. "Legal, social, and biological definitions of pedophilia" (em inglês). ''Archives of Sexual Behavior''. Universidade de Indiana, Vol. IV, nº 19, 1990, pp. 333-342.</ref>

Etimologicamente, a palavra pedofilia é formada pelos vocábulos [[Grego antigo|gregos]] ''παις-παιδος'', 'criança', e ''φιλία'', 'amor'. O significado [[Etimologia|etimológico]] de pedofilia é, portanto, "amor pelas crianças". 

A definição médica oficial é aquela da [[Classificação internacional de doenças]] da Organização Mundial da Saúde,<ref name="onu">[http://www.who.int/classifications/apps/icd/icd10online/ Classificação Internacional de Doenças, CID-10, versão 2010] - Ver [http://apps.who.int/classifications/apps/icd/icd10online/ código F65.4] (em anglês).</ref> bem como aquela das diversas associações psiquiátriques, entre elas a Associação Americana de Psiquiatria.<ref>[http://www.behavenet.com/capsules/disorders/pedophiliaTR.htm DSM-IV-TR: Paedophilia], codi 302.2 (em inglês).</ref> Estas organizações definem a pedofilia como uma atração sexual primária dos adultos para as crianças prepubescentes ou de [[puberdade]] precoce e consideram-na como um transtorno mental e da conduta.<ref name="onu"/>

Os ativistas pedófilos definem a pedofilia como uma preferência sexual pelas crianças e, segundo um significado extensivo, pelos adolescentes, baseada no amor electivo por estes e comparável com quaisquer [[orientação sexual]].<ref name="ori">[http://www.parl.gc.ca/HousePublications/Publication.aspx?DocId=4959361&Language=E&Mode=1&Parl=40&Ses=3 |títol=40th PARLIAMENT, 3rd SESSION
|consulta=8/12/2011]. Standing Committee on Justice and Human Rights, 14-2-2011 (em inglês)</ref> Eles afirmam também que as crianças e os adolescentes podem desejar e consentir as relações sexuais com adultos e fazen uma distinção taxativa entre pedofilia e abuso sexual.

==História ==
=== Precedentes e bases científicas ===
[[File:John Henry Mackay.gif|thumb|[[John Henry Mackay]] (1864-1933), antecessor do ativismo pedófilo.]]
Há precedentes do ativismo pedófilo no escritor alemão de origem escocesa [[John Henry Mackay]].<ref>Kennedy, Hubert C. ''Anarchist of love: the secret life of John Henry Mackay''. NAMBLA. Nova York: 1996. (em inglês)</ref> Mackay, que reconhecia a sua pedofilia, empreendeu uma campanha sob o pseudónimo Sagitta para que fosse permitido o amor pederástico.<ref>Santiago, Pablo. "Personajes históricos sospechosos de pedofilia". Em: ''Alicia en el lado oscuro'', Imagine. Madrid: 2004, pp. 135-136. (em espanhol)</ref> O seu plano era publicar vários livros em diferentes estilos, mas o seu projecto entrou em colapso quando as suas obras foram confiscadas e o seu editor denunciado, embora este nunca revelou quem se ocultava atrás do pseudónimo Sagitta. Após um julgamento, aqueles livros foram declarados obscenos em 1909 e o seu editor multado. Mackay, no entanto, continuou com a sua cruzada e em 1913 publicou outras obras com o mesmo objectivo. A mais destacada desta série é o romance autobiográfico ''Fenny Skaller''.<ref>Mackay, John Henry. ''Fenny Skaller'', Southernwood Press. Amsterdão, 1988. ISBN 9072450027. (em alemão)</ref> Em 1926 publicou ''Der Puppenjunge'',<ref>Mackay, John Henry. ''Der Puppenjunge'', Männerschwarm. Hamburgo: 1999. ISBN 3861490692. (em alemão)</ref> uma história sobre meninos prostituídos em Berlim. Na [[República de Weimar]] os seus livros puderam ser vendidos, mas quando os nazistas chegaram ao poder eles foram proibidos. Até 1979 não foi conhecido que atrás de Sagitta escondia-se este autor.

No final do século XIX, [[Sigmund Freud]] havia revolucionado a percepção occidental da infância com a sua teoria psicanalítica, sendo o primeiro a manter, sobre bases científicas, e portanto de forma clara e coherente, a existência de uma sexualidade própria nas crianças. Ele formalizaria as suas teses sobre o assunto na obra ''Drei Abhandlungen zur Sexualtheorie'' [Três ensaios sobre teoria sexual],<ref>Freud, Sigmund. [http://www.psychanalyse.lu/Freud/FreudDreiAbhandlungen.pdf  ''Drei Abhandlungen zur Sexualtheorie''], Fischer Taschenbuch. Frankfurt, 2000. ISBN 3596104408 (em alemão)</ref> publicada em 1905. Um dos aspectos que tendem a enfatizar os teóricos do ativismo pedófilo ao defenderem a normalidade da pedofilia é aquele da repressão da sexualidade infantil.

Durante a primeira metade do século XX, diversos pesquisadores tentaram comprovar, a partir de um ponto de vista científico, que a pedofilia é uma parte normal da sexualidade humana e que as relações sexuais entre adultos e crianças nem são prejudiciais nem traumáticas para os últimos. O psiquiatra austríaco Wilhelm Reich, aluno de Freud, que tentou compatibilizar a [[psicanálise]] com a análise [[Marxismo|marxista]], interpretou a repressão da sexualidade infantil como a conseqüência de uma imposição moral milenar que se manifesta no sistema capitalista através da família burguesa, a qual atua como representante da repressão política do estado.<ref>Reich, Wilhelm. ''Der Einbruch der sexuellen Zwangsmoral'', Kiepenheuer und Witsch. Colônia, 1995. ISBN 9783462024715. (em alemão)</ref> A família, no seu papel de reprodutora da ordem social prevalecente, desempenharia a função de preservar o modelo familiar existente, através da perpetuação de instituções como o matrimônio e de princípios morais como a fidelidade conjugal. No seu livro ''The Function of the Orgasm: Discovery of the Orgone'' [A função do orgasmo: Descoberta do orgone], Reich fala da repressão da sexualidade infantil como causadora de patologias mentais na pessoa.<ref>Reich, Wilhelm. ''The Function of the Orgasm: Discovery of the Orgone'', Farrar, Straus & Giroux. Nova Iorque, 1986. (em inglês)</ref>

Entre 1937 e 1948, o científic estadunidense Alfred Kinsey, autor da famosa [[Escala de Kinsey|escala]] que leva o seu nome, realizou um estudo científico sobre sexualidade humana, conhecido hoje como [[Relatório Kinsey]], que seria publicado em dois volumes, ''Sexual Behavior in the Human Male'' [Conduta sexual do home] (1948)<ref>Kinsey, Alfred. ''Sexual Behavior in the Human Male'', Indiana University Press. Indiana, 1998. ISBN 0253334128. (em inglês)</ref> e ''Sexual Behavior in the Human Female'' [Conduta sexual da mulher] (1953),<ref>Kinsey, Alfred. ''Sexual Behavior in the Human Female'', Indiana University Press. Indiana: 1953. ISBN 025333411X (em inglês)</ref> para o qual conseguiu reunir a história sexual de cerca de 18.000 pessoas, entre elas centenas de crianças, de dois meses a quinze anos de idade. Kinsey afirmava que não há relações sexuais anormais, mas normas sociais que as condicionam e regulam. Segundo Kinsey, se as relações sexuais entre adultos e crianças acontecem em circunstâncias apropriadas, se o adulto sente afeto pela criança e não a cosifica, elas podem ser uma experiência saudável para a criança.<ref name="feno"/> Esta somente fica traumatizada se as autoridades públicas ou os pais fazem-na acreditar que essa conduta é inmoral ou incorrecta.<ref name="feno"/> No seu conceito de "liberação sexual", que incluía masturbação, poluições nocturnas, carícias heterossexuais, relações homossexuais e relações com animais, Kinsey propugnava a permissividade das relações entre adultos e crianças.<ref name="feno">Santiago, Pablo. "La pedofilia como fenómeno psiquiátrico". Em: ''Alicia en el lado oscuro'', Imagine. Madrid, 2004, pp. 192-193. (em espanhol)</ref>

Desde os seus inícios, os teóricos do ativismo pedófilo destacaram os estudos desses autores e, posteriormente, doutros como Floyd Martinson, Alayne Yates ou William Masters, ao defenderem cientificamente as suas teses, que apoiam também em eventos culturais e históricos que possibilitaram a aceptação social da pederastia, mesmo regulamentada, como na [[Antiga Grécia]].<ref>Licht, Hans. ''Sexual Life in Ancient Greece'', Barnes & Noble. Nova Iorque, 1962. (em inglês)</ref> Por sua vez, eles sustentam que as pesquisas sobre o abuso sexual infantil estão normalmente distorcidas pelos preconceitos dos investigadores sobre as interações adulto-criança, e reivindicam uma abordagem menos emocional e mais objectiva.<ref>Whitfield, Charles L.; Silber, Joyanna; Jay FinkPaul. [http://books.google.es/books?id=CZmPet1s07AC&pg=PA123&lpg=PA123&dq=ipce+objectivity+brongersma+emotional&source=bl&ots=BelL47-GMj&sig=sb-XB8OvuVDpf3UsqrT5cpufbiA&hl=es&sa=X&ei=egMET-SjKcOFhQfViaXfBw&ved=0CB4Q6AEwAA#v=onepage&q=ipce%20objectivity%20brongersma%20emotional&f=false  ''Misinformation concerning child sexual abuse and adult survivors''], Routledge. Londres: 2001, p. 123. (em inglês)</ref> Um estudo citado freqüentemente como exemplo de investigação objectiva pelos defensores das relações intergeracionais é ''Boys on their contacts with men'' [Os meninos em seus contatos com homens] (1987),<ref>[http://www.mhamic.org/sources/sandfort.htm Boys on their contacts with men: A study of sexually expressed friendships].  MHAMic (em inglês)</ref> do psicólogo social Theo Sandfort, publicado na revista ''[[The Journal of Sex Research]]'' (sujeita a [[revisão por pares]]).<ref>[http://www.ipce.info/ipceweb/Library/bauserman_objectivity.htm Objectivity and Ideology Criticism of Theo Sandfort’s Research on Man-Boy Sexual Relations], IPCE. (em inglês)</ref> 

Em 1998, os psicólogos Bruce Rind, Philip Tromovitch e Robert Bauserman publicaram un estudo no ''Psychological Bulletin'' da Associação Americana de Psiquiatria, com o título ''A meta-analytic examination of assumed properties of childsexual abuse using college samples'' [Metanálise das conseqüências do abuso sexual infantil, a partir de casos não clínicos],<ref>Rind, B.; Tromovitch, Ph.; Bauserman, R.  [http://www.ipce.info/library_3/rbt/metaana.pdf "A Meta-Analytic Examination of Assumed Properties of Child Sexual Abuse Using College Samples"]. ''Psychological Bulletin'', Vol. CXXIV, nº 1, 1998, pp. 22-53. (em inglês)</ref> no qual analizam e comparam os resultados de um conjunto de 59 estudos realizados com amostras não clínicas de ambos sexos que tiveram relações sexuais com adultos durante a sua infância, com o objectivo de descobrir, tomando em consideração as crenças básicas da sociedade sobre as alegadas conseqüências negativas da atividade sexual sobre as crianças, se elas foram realmente danadas por esta experiência. Os resultados do estudo indicam que 70% das amostras estudadas consideram que as suas experiências sexuais com adultos durante a infância ou adolescência foram positivas ou não tiveram conseqüências. Os autores relativizam e atribuem a outras causas, como o ambiente familiar, as conseqüências negativas reportadas pelo resto e chegam à conclusão que as crenças da sociedade sobre as hipotéticas conseqüências negativas do sexo sobre crianças e adolescentes são exagerades e não se sustentam.<ref>[http://www.ipce.info/ipceweb/Library/rbt_files.htm The RBT Files]. IPCE. (em inglês)</ref> Este estudo, conhecido como [[Relatório Rind]], é citado freqüentemente como referência pelo movimento ativista pedófilo.<ref>[http://www.ipce.info/ipceweb/Documentation/Documents/99-112_nambla_statement.htm The Good News About Man/Boy Love]. IPCE. (em inglês)</ref>

=== Inícios ===
Nos anos quarenta do século XX, o psicólogo e sexólogo neerlandês Frits Bernard estabelece contatos com o doutor J. A. Schorer, presidente da filial neerlandesa do Comité Científico Humanitário (WHK) alemão, a primeira organização em defesa dos homossexuais i transsexuais. Bernard estava sciente de que o WHK, juntamente com a sua organização internacional, o Instituto de Ciência Sexual, já havia publicado artigos sobre as interações adulto-criança antes de 1933.<ref name="sta">BRONGERSMA, Edward. ''Schutzalter 12 Jahre?: Sex mit Kindern in der niederländischen Gesetzgebung''. A: LEOPARDI, Angelo. ''Der pädosexuelle Komplex''. Frankfurt: Foerster Verlag, 1988, p. 212. ISBN 3-922257-66-6. (em alemão)</ref> Com a declaração de guerra dos aliados na Alemanha e a vitória nazista na primeira fase do confronto na Europa, as campanhas de legitimação da pedofilia foram proibidas e qualquer banalização da questão fortemente penalizada, porque o artigo 176 do ''Verordnungsblatt'' nº 81 sobre as interações adulto-criança da legislação alemã teve de ser incluído na legislação neerlandesa por ordem de [[Adolf Hitler]]. O Instituto de Ciência Sexual foi literalmente destruído com a chegada do governo [[Nacional-socialismo|nacional-socialista]] à Alemanha em [[1933]]. Os membros do WHK Von Santhorst e Bob Angelo destruiram toda a documentação do WHK neerlandês para impedir as pesquisas dos nazistas.

Nos anos cinqüenta, e a partir dos restos da filial neerlandesa do WHK,<ref name="ori"/> Bernard, juntamente com outras pessoas interessadas, cria em [[Haia]] o Enclave Kring, a primeira organização em defesa da pedofilia, desenvolvida com a ideia de se tornar em una organização internacional.<ref>Sandfort, Theo; Brongersma, Edward; Alex, Van Naerssen. ''Male Intergenerational Intimacy: Historical, Socio-Psychological, and Legal Perspectives''. Nova York/Londres: Haworth Press, 1991. ISBN 9780918393784.</ref> Seus objectivos eram "romper com preconceitos sobre questões relacionadas aos contatos eróticos e relações entre menores e adultos [...], fornecendo informação e conselho [...] [e] iniciar um programa de assistência direta [para avançar] em direção a uma revisão do código penal".<ref name="stani">Bernard, Frits. "The Dutch Paedophile Emancipation Movement" (em inglês). ''Paidika: The Journal of Paedophilia'', Vol. I, nr. 2 (1987), pp. 35-45.</ref> Em 1958 funda-se uma editora com o mesmo nome, a fim de difundir as idéias do grupo. Resultado de seus esforços, o Enclave Kring iria receber apoio na Europa Occidental, Nova York, Japão e Hong Kong, lugares onde, em alguns casos, o próprio Bernard tinha dado palestras. A [[Sociedade Neerlandesa para a Reforma Sexual]] (NVSH), líder do movimento pela liberdade sexual, tinha então, nas palavras de Frits Bernard, uma atitude muito crítica em relação aos pedófilos.<ref name="stani"/>

Dado o número limitado de estudos dedicados ao fenómeno da pedofilia, e com o desejo de lutar contra o estigma social, Bernard e o advogado e político Edward Brongersma escrevem, de 1959 a 1964, vários artigos apresentando a pedofilia a partir de um ponto de vista positivo, que são publicados em ''Vriendschap'', a revista do Cultuur en Ontspanningscentrum [Centro de Cultura e Lazer] (COC, hoje [[COC Nederland]]),<ref>[http://www.coc.nl/dopage.pl?thema=any&pagina=home COC Nederland]. Site oficial. (em inglês, francês e neerlandês)</ref> associação em defesa dos direitos dos homossexuais de que são membros, mas não conseguem criar um grupo interno de trabalho. Desde 1969, devido à evolução social e à radicalização de alguns discursos políticos e intelectuais, as posições da NVSH evoluem e é criado um Grupo de Trabalho sobre a Pedofilia, cujos membros incluem Frits Bernard, Edward Brongersma, Ids Haagsma, Wijnand Sengers e Peter van Eeten.<ref name="stani"/>

=== Avanço transitório ===
[[File:RevistaPan.png|thumb|208px|Capa do número 18 da revista ''[[Pan: A Magazine About Boy-Love]]''. A [[imprensa pedófila]] tem sido um dos principais meios de difusão das idéias do ativismo pedófilo.]]

No início dos anos setenta, a maioria dos artigos em defesa da pedofilia (a maior parte deles tentando definir o impacto em curto e lungo prazo dos contatos sexuais entre crianças e adultos sobre os últimos) são escritos nos Países Baixos, tanto a partir de perspectivas teóricas como também práticas, por Bernard, Brongersma, o psicólogo social Theo Sandfort e o psicólogo Frans Gieles. Os dados utilizados por estes pesquisadores provinham da análise direta de pedófilos e de jovens e adultos que, durante a sua infância ou adolescência, tiveram relações sexuais com adultos. Em 1988, Bernard irá afirmar que, até então, como psicólogo e perito autorizado em diversos processos, ele próprio havia estudado e falado com "mais de cem adultos pedófilos e perto de trezentas crianças e adolescentes que tiveram contatos [sexuais] com adultos".<ref name="bro">LEOPARDI, Angelo, 1988.</ref> O Grupo de Estudo sobre a Pedofilia da NVSH integra especialistas infantis, psiquiatras, advogados e realiza uma importante tarefa informativa. Em 1972, este grupo publica o livro ''Sex met kinderen'' [Sexo com crianças],<ref>Bernard, Frits; Brongersma, Edward; Sengers, Wijnand; Van Eeten, Peter; Haagsma, Ids. ''Sex met kinderen'',  NVSH, A Haia, 1972 (em neerlandês)</ref> escrito por Bernard em colaboração com Edward Brongersma, Wijnand Sengers, Peter van Eeten e Ids Haagsma, que é apresentado como resultado de dez anos de pesquisa sobre as interações adulto-criança. A obra abrirá o debate sobre a pedofilia nos Países Baixos<ref>[http://www.ipce.info/ipceweb/Library/dutch_movement_text.htm The Dutch Paedophile Emancipation Movement] (em inglês). ''Paidika: The Journal of Paedophilia'', Vol. I, nº 2 (outono 1987), pp. 35-45.</ref> e preparará as bases para o movimento ativista pedófilo dos anos setenta na Europa occidental.<ref group="n.">Juntamente com outras fontes sobre o impacto de ''Sex met kinderen'', ver BRONGERSMA, Edward (1988) (ibídem), ou o[http://www.ipce.info/ipceweb/Library/baurmann_sum.htm estudo criminológico] de Michael C. Baurmann (1983), publicado pelo Gabinete da Polícia Criminal Federal da Alemanha.
</ref><ref name="sta"/>

No contexto da revolução sexual iniciada nos anos sessenta desenvolve-se um ativismo reivindicativo que visa atrair a atenção da mídia para promover a sua causa. Os ativistas pedófilos desafiam a opinião pública e começam a exigir a aceitação social da pedofilia, a sua eliminação das listas oficiais de doenças e transtornos mentais e a abolição da idade de consentimento. O ativismo pedófilo experimenta um avanço significativo que se manifesta no aparecimento, a partir de meados dos anos setenta, de um grande número de grupos especificamente pedófilos em muitos países para além das associações de homossexuais e dos pensadores isolados. Muitos intelectuais e ativistas políticos apoiam as idéias do ativismo pedófilo. Embora a pedofilia ainda não é socialmente aceita, esta radicalização dá aos pedófilos a oportunidade de se encontrar e trocar idéias.

Nos Países Baixos, em continuidade com as vias abertas nos anos cinqüenta por Frits Bernard, o ativismo pedófilo tende a coincidir com um estudo mais geral sobre a  sexualidade, a família e as crianças. São criados, promovidos sobretudo pela ação proselitista de Bernard e Brongersma, grupos como o Stiching Studiegroep Pedofilie (SSP), o Landelijke Werkgroep Jeugdemancipatie, grupo específico da Sociedade Neerlandesa pela Reforma Sexual (NVSH-LWGJ), e Spartacus, editor da revista internacional ''Pan: A Magazine About Boy-Love'',<ref>Califia, Pat. ''Public sex: The culture of radical sex''. Cleis Press: Berkeley, 1994.</ref> publicada em inglês, e da guia turística ''[[Spartacus International Gay Guide|Spartacus]]'', dirigida ao público homossexual.<ref group="n."> Em meiados dos anos noventa, esta guia turística, dirigida ao público homossexual, foi acusada de fornecer endereços onde os seus leitores podiam encontrar prostitutos menores de idade.</ref><ref>Bari, Dominique. "Tourisme sexuel: le procès" (em francês), ''L'Humanité'', 15-2-1995. </ref> O Grupo de Estudo sobre a Pedofilia da NVSH organiza reuniões semanais e coleta informações sobre a pedofilia, que são arq	uivadas num centro de documentação situado em [[Hasselt]]. Em 1973 tem lugar em Breda (Países Baixos) o primeiro encontro  internacional de pedófilos, organizado pela NVSH, que naquele mesmo ano formaliza a sua seção sobre pedofilia, o Hoofdbestuurscommissie Pedofilie, que em 1976 passa a se chamar Grupo de Trabalho pela Emancipação das Relações Intergeracionais, e em 1979 Grupo Nacional de Trabalho pela Emancipação das Crianças. Em 1974 é organizado em Utrecht, sob o nome "Pedofilia e Sociedade", o primeiro encontro da seção sobre pedofilia da NVSH. Nele solicita-se a legalização da pederastia e reivindica-se o direito das crianças "de expressarem os seus sentimentos e necessidades".

Em [[Flandres]] (Bélgica), após uma conferência organizada em [[Antuérpia]] em abril de 1973 pelo Grupo de Estudo sobre a Pedofilia da NVSH, é fundada a primeira agrupação pedófila europea fora dos Países Baixos. Em 1981 cria-se Stiekum, mais radical (folhetos, intervenções no âmbito institucional, na rádio, etc.). Estes grupos, que ainda são bastante informais, vão se tornar, a partir de 1984, objeto de perseguição e  ataques por parte de partidos políticos de direita, entre eles o [[Vlaams Blok]], que vão acusar eles de "acostumar a gente ao fenômeno da pedofilia", vão solicitar a sua proibição desde as suas publicações e desde a imprensa nacional e vão organizar protestos quando forem celebrados em Flandres debates e conferências sobre a pedofilia.<ref>Carpentier, Philippe.  "[http://wikiwix.com/cache/?url=http://bibliobleue.fpc.li/Revues/Espoir/D2/Flandre.htm Et en Flandre? ]" (em francês). ''L'Espoir'', CRIES, nº 6 (junho-julho 1983).</ref><ref>Carpentier, Philippe. "[http://wikiwix.com/cache/?url=http://bibliobleue.fpc.li/Revues/Espoir/N27/Sexualite1.htm Le cancer de l'Occident chrétien]", ''L'Espoir'', CRIES, nº 27 (setembro-outubro 1986)</ref> 

O estatus especial dos intelectuais na França, que havia permitido alguns escritores, como [[Henry de Montherlant]] ou [[André Gide]], reconhecerem tranquilamente a sua preferência sexual pelas crianças e pelos adolescentes, ou como [[Roger Peyrefitte]], obterem um sucesso escandaloso,<ref name="Anne-Claude"/><ref>AMBROISE-RENDU, Anne-Claude, 1988</ref> permite também a diversos escritores, a partir do final dos anos sessenta, manterem discursos que apresentam a pedofilia de forma positiva. [[Tony Duvert]], que em 1967 publica o seu primeiro romance, ''Récidive'' [Reincidente], e em 1973 ganha o [[Prêmio Médicis]] com a obra ''[[Paysage de fantaisie]]'' [Paisagem de fantasia], reivindica-se abertamente como pedófilo. [[Gabriel Matzneff]] fala abundantemente nos seus livros sobre a sua preferência pelos adolescentes de ambos os sexos, sem ser atacado pela mídia, enquanto colabora em diversos jornais, entre eles ''Le Monde''. Em 1974, Duvert publica ''[[Le bon sexe illustré]]'' [O bom sexo ilustrado], um ensaio onde ele critica a [[educação sexual]] e a [[família]] e defende o direito dos menores de fazer amor, e Matzneff ''Les moins de seize ans'' [Os menores de dezasseis anos],<ref>Matzneff, Gabriel. ''Les moins de seize ans''. Julliard: París, 1994, p. 65.</ref> um panfleto onde exalta o amor pelos adolescentes e chega a evocar relações amorosas com rapazes de 12 anos.<ref>Martel, Fréderic. ''Le rose et le noir: les homosexuels en France depuis 1968''. Seuil: París, 2000, p. 248.</ref> No mesmo ano, o filósofo [[René Schérer]] publica ''Émile perverti ou Des rapports entre l’éducation et la sexualité'' [Emílio pervertido, ou Da relação entre a educação e a sexualidade], um ensaio dedicado à relação entre a educação e a sexualidade, onde ele denuncia a "ação infantilizadora da escola" e lamenta o fato de a educação contemporânea excluir a prática da [[pederastia]] entre alunos e professores.<ref>Schérer, René. ''Émile perverti''. Laurence Viallet-Éditions du Rocher: París, 2006, pp. 145-146.</ref>

== Principais teses e reivindicações ==
Os pedófilos ativistas pretendem defender a tese polêmica de que a pedofilia não seria uma [[doença]] ou um [[desvio sexual]], mas sim uma [[orientação sexual]] específica, tanto quanto a [[heterossexualidade]] ou a [[homossexualidade]], e desejam o reconhecimento da sociedade neste ponto <ref name="young"/>. Sua pretensão não encontra apoio na comunidade científica {{carece de fontes|data=Janeiro de 2012}}, que condena também as tentativas de "[[Técnicas de neutralização|neutralização]]" do crime de pedofilia.

A pedofilia, atualmente, é definida simultaneamente como [[doença]] e [[desvio sexual]] (ou [[parafilia]]) pelos organismos internacionais, como as [[Nações Unidas]] e a [[Organização Mundial de Saúde]], e também pelas principais entidades de classe que representam os interesses dos psicólogos e dos psiquiatras. Os pedófilos activistas, contudo, argumentam que a [[homossexualidade]] um dia também já foi classificada como doença por estes mesmos organismos e entidades, e reivindicam uma mudança semelhante para a pedofilia, para que ela também deixe de ser oficialmente classificada desta forma.

Outra tese polêmica que os ativistas pedófilos procuram é a de que, nos tempos atuais, pelo menos algumas crianças antes da [[puberdade]] já teriam a capacidade de consentir em relação ao [[ato sexual]] {{carece de fontes|data=Dezembro de 2008}}, e que, em conseqüência, nem todo ato sexual resultante de [[pedofilia]] seria necessariamente um sinônimo de [[abuso sexual]] na infância {{carece de fontes|data=Dezembro de 2008}}. Por isso, outra reivindicação dos ativistas pedófilos é a completa abolição ou, pelo menos, uma redução progressiva e acentuada, até níveis abaixo da puberdade, da [[idade de consentimento]] legal {{carece de fontes|data=Dezembro de 2008}}.  No [[Brasil]] o [[Supremo Tribunal Federal]] entende que '''é absoluta (''juris et de jure'') a ''presunção de violência'' no sexo praticado com menores de 14 anos''', ponderando que, embora possam eventualmente existir uns poucos menores que adquiram consciência sexual mais cedo, a grande maioria, antes de completos os quatorze anos, não tem desenvolvimento psicológico suficiente para compreender as conseqüências de seus atos (o que se denomina ''innocentia consilii'', ou seja, a sua completa insciência em relação aos fatos sexuais, de modo que não se pode dar valor algum ao seu consentimento), e que a idade da vítima faz parte do próprio tipo penal. 

{{quote2 | O consentimento da vítima menor de 14 anos, para a conjunção carnal, e sua experiência anterior não elidem a presunção de violência, caracterizadora do [[estupro]], pois a norma em questão visa, exatamente, a proteção da menor '''considerando-a incapaz de consentir''', não se afastando tal presunção quando a ofendida aparenta idade superior em virtude de seu precoce desenvolvimento físico, ou quando o agente desconhece a idade da vítima" <small>(STF – Habeas Corpus – Rel. Ilmar Galvão – j. 17.12.1996 – RT 741/566)</small>|Ministro [[Ilmar Galvão]], Relator, [[Supremo Tribunal Federal]].}}

;Críticas
Os críticos das propostas de "[[Técnicas de neutralização|neutralização]]" das leis antipedófilas ressaltam que os atuais estudos científicos, como o realizado pelo psicólogo holandês Gerard van den Aardweg, comprovam que o sexo "não-forçado" (com [[crianças]]) ''é um [[eufemismo]], porque sempre existe um elemento de coerção -- envolvendo o abuso da autoridade do adulto e o abuso da necessidade da [[criança]] por afeição. Se um pesquisador não vê dano'' (numa relação sexual com [[crianças]]) '' 'pode ser que não esteja vendo porque está usando os óculos errados...e não porque não haja nada a ser visto'. Mesmo o sexo adulto-criança que é mutuamente agradável, diz ele, é sempre um injustiça intrínseca à integridade da pessoa" ''<Ref name-FORÇADO>[http://64.233.169.104/search?q=cache:MYk8xbq73W4J:www.synthiaestherministries.com/library-addictions/let-me-touch.html+Van+den+Aardweg,+Gerard,+(The+Netherlands),+private+correspondence+to+NARTH,+October+26,+1998.&hl=pt-BR&ct=clnk&cd=4&gl=br&client=firefox-a Van den Aardweg, Gerard, (The Netherlands), private correspondence to NARTH, October 26, 1998.]</REF> 

Outros estudos acadêmicos acusam estas organizações de estarem promovendo a [[Técnicas de neutralização|neutralização]] do crime de pedofilia<ref name="young"/>. A [[Técnicas de neutralização|neutralização]] é um tipo de mecanismo psicológico que faz calar numa pessoa a necessidade de seguir seus próprios conceitos morais.

===Distinção entre abuso sexual e relações consensuais===
A distinção que fazem os ativistas pedófilos entre abuso sexual infantil e relações consensuais<ref name="Bernard">[http://www.ipce.info/library_3/files/bernard_interview_en.htm "Interview with Dr. Frits Bernard, a pioneer emancipator"]. ''Koinos'' Vol. IV, nº 48, 2005. (em inglês)</ref> é um dos aspectos-chave da sua luta pela aceptação social da pedofilia. De forma unânime, os ativistas pedófilos rejeitam e condenam qualquer tipo de abuso sexual e unicamente apoiam as relações consensuais por ambas partes, que defendem como um direito natural dos menores e dos adultos de compartilharem e desfrutarem a sua sexualidade livremente, sem coacções e num quadro de igualdade, harmonia e respeito mútuo pelos sentimentos.<ref name="Sandfort">Sandfort, Theo; Brongersma, Edward; Van Naerssen, Alex. ''Male Intergenerational Intimacy: Historical, Socio-Psychological, and Legal Perspectives'', Haworth Press. Nova Iorque/Londres, 1991, p. 275-295. ISBN 9780918393784. (em inglês)</ref> Sobre essa distinção essencial de conceitos são baseadas todas as reivindicações do ativismo pedófilo.
 	
A [[Danish Pedophile Association]], uma das associações mais importantes do ativismo pedófilo, criada em [[Dinamarca]] em 1984, sintetizou em onze pontos a distinção entre abuso sexual infantil e pedofilia defendida pelos ativistas pedófilos:<ref name="DPA">[http://danpedo.info/english/ Two differents worlds]. Danish Pedophile Association (em inglês) [O site oficial da DPA ficou indisponível em avril de 2012].</ref>

{| class=wikitable style="width:800px"
! Abuso sexual infantil !! Pedofilia com contato sexual (eventual)
|-
|
# Violência, ameaças, engano, chantagem (emocional), rapto e estupro.
# A criança sente que é impossível retirar-se da atividade sexual. A criança quer acabar com a atividade, mas é impedido pelo adulto. O abuso de poder e outras intimidações possibilitam o abuso continuado.
# O desejo sexual do adulto é o único critério. As necessidades da criança, mesmo as sexuais, não são tidas em conta. A criança é um objecto sexual passivo.
# Obrigação de sigilo. Explotação dos sentimentos de vergonha da criança. Se a atividade sexual é descoberta, a criança experimenta sentimentos de culpabilidade, embora não desejasse tal atividade. 
# Atmosfera opressiva. Não há sensação de segurança nem intimidade.
# A relação não é equitativa. Há opressão, abuso de autoridade e manipulação. 
# O adulto não está interessado na criança como pessoa, mas apenas como objecto sexual esporádico.
# Há poucos interesses em comum. A criança isola-se dos outros; também dos seus companheiros de idade. O adulto pretende dominar a criança.
# Não há uma comunicação aberta. Qualquer expressão emocional é reprimida. 
# Na vida cotidiana da criança, o amor e a atenção são escassos. Nesses casos, há risco de fixação na sexualidade adulta.
# A criança experimenta sentimentos de medo e aversão. É evidente que a criança procura ajuda.
|
# Espontaneidade e amizade que são disfrutadas juntos.
# A criança pode retirar-se da relação em qualquer momento, de acordo com seu desejo. O adulto respeita a vontade da criança e não culpa ela pela sua decisão.
# Interação a escala pessoal e (eventualmente) sexual. A atividade sexual, se for o caso, é adaptada ao nível psicosexual da criança. O adulto participa da sexualidade da criança. 
# Tenta-se conseguir a maior abertura possível, tendo em conta a moral e o ambiente. O bem-estar de ambas as partes é expresso verbalmente e não verbalmente durante a relação.
# Tenta-se criar uma atmosfera que forneça a maior sensação de segurança possível.
# O objectivo é criar uma relação de igualdade. No caso de uma relação duradora,  transforma-se en amizade.
# O adulto manifesta interesse pelo mundo da criança. Há interesses em comum, mesmo no caso de um encontro único. 
# Há espaço para a cultura juvenil e para o contato com os outros. Os interesses são compartilhados. 
# Há espaço para a expressão de sentimentos. O poder é equilibrado. A criança e o adulto compartilham o poder.
# O adulto tem um interesse real nos seus sentimentos (também sexuais) da criança. Quer chegar ao nível da criança. A amizade é um complemento valioso doutros aspectos da vida da criança. 
# O sentimento predominante na criança é a alegria. Às vezes, porém, a criança pode sentir-se insegura por causa da moral da sociedade. Mesmo assim, a criança tenta expressar sentimentos positivos no seu ambiente.
|}

A DPA também observa, no entanto, que deve ser "assumida a existência de uma grande 'área cinzenta' entre as duas situações opostas descritas" nesses onze pontos.

Em 1998, o doutor Frans Gieles, da [[Sociedade Neerlandesa pela Reforma Sexual]] (NSVH), sugeriu quatro regras éticas básicas a serem consideradas em uma relação adulto-criança.<ref>"[http://www.ipce.info/ipceweb/Library/i_did_not_know.htm I didn't know how to deal with it": Young people speak out about their sexual contacts with adults], IPCE (em inglês)</ref> Outros grupos e personalidades sugeríram princípios equivalentes, que foram sintetizados posteriormente pela associação Martijn como se segue:<ref name="MARTIN">[http://www.martijn.org/page.php?id=200000  What we stand for], Martijn. (em inglês)</ref> 

* '''Consentimento''', tanto da criança com também do adulto.
* '''Abertura''' para os pais da criança.
* '''Liberdade''' para a criança de retirar-se da relação em qualquer momento.
* '''Harmonia''' com o desenvolvimento da criança.

A maioria de pessoas que trabalham nesse sentido acreditam que essas diretrizes éticas só podem operar en jurisdições onde seja legal o sexo entre adultos e menores de idade, e, portanto, não são aplicadas sobre relações ilegais com crianças abaixo da idade de consentimento. Em contraste, a atividade ilegal é desencorajada, principalmente para proteger as crianças contra as consequências negativas que teria sobre elas uma possível intervenção da policia.<ref>[http://www.ipce.info/ipceweb/Statements/code.htm Statement: A Boylove Code of Ethics], IPCE (em inglês)</ref> A declaração de Martijn é inequívoca: “A associação Martijn aconselha a todos a respeitar a lei".<ref>[http://www.martijn.org/page.php?id=200000 About Martijn], Martijn (em inglês e neerlandês)</ref>

Além disso, muitos pedófilos afirmam que o sexo não é a principal razão de ser para os seus relacionamentos com as crianças. Edward Brongersma, em "Boy-Lovers and Their Influence on Boys" [Os boylovers e a sua influência sobre os meninos], onde divulga os resultados de pesquisas realizadas com pessoas que tiveram relações sexuais com crianças, diz: " Dentro de uma relação, o sexo é geralmente um elemento secundário, embora possa ser importante para a instrução e a educação sexual"<ref>Brongersma, Edward. "Boy-lovers and their influence on boys: Distorted research and anecdotal observations". ''Journal of Homosexuality'', nº 20, 1990, pp. 145-173.</ref> (cita estudos de Hass, 1979; Righton, 1981; Berkel, 1978; Ingram, 1977; Pieterse, 1982; e Sandfort, 1982).

=== Opinião de especialistas ===
{{aviso médico}}
A [[Associação Americana de Psicologia]] e ainda com mais vemência, a [[Associação Americana de Psiquiatria]] já declararam, em nota oficial, que rejeitam frontalmente as idéias de "normalização" ou "[[Técnicas de neutralização|neutralização]]" da [[pedofilia]].<ref name=NARTH>[http://www.narth.com/docs/pedophNEW.html National Association for Research & Treatment of Homosexuality - NARTH]</ref>

O jornal [[New York Times]] realizou um estudo sobre esses grupos informais, que se auto-denominam "ativistas pró-pedofilia", constatando que suas atividades se realizam sempre virtualmente, no [[IRC|Internet Relay Chat]], em boletins de mensagens da [[Usenet]] que têm ''postings'' por assunto, bem como em sites da web que se dedicam a pedófilos <ref name=PERIGO>[http://www.nytimes.com/2006/08/21/technology/21pedo.html?ei=5094&en=79822c4e3a3e6773&hp=&ex=1156219200&partner=homepage&pagewanted=all|3= EICHENWALD, Kurt. ''From Their Own Online World, Pedophiles Extend Their Reach'', [[New York Times]]'', August 21, 2006]</ref>. Os pedófilos se auto-enxergam como sendo participantes de ''"um movimento de vanguarda que busca a legalização da pornografia infantil, e a redução da idade de permissão para o sexo"''  <ref name=PERIGO>[http://www.nytimes.com/2006/08/21/technology/21pedo.html?ei=5094&en=79822c4e3a3e6773&hp=&ex=1156219200&partner=homepage&pagewanted=all|3= EICHENWALD, Kurt. ''From Their Own Online World, Pedophiles Extend Their Reach'', [[New York Times]]'', August 21, 2006]</ref>. Suas conversas, em si, não são ilegais.  

{{quote|''Mas a mera existência dessas comunidades é significativa e preocupante, dizem os especialistas, porque elas reforçam fantasias que, quando transformadas em realidade, se tornam crimes. (...) "É a racionalização que permite aos pedófilos não reconhecer que seus desejos são perniciosos e ilegais", disse Bill Walsh, ex-comandante da Unidade de Crimes Contra Crianças da polícia de [[Dallas]]. É isso que possibilita aos pedófilos dar o último passo, e cruzar a linha entre a fantasia e os crimes na vida real"''. <ref name=PERIGO>[http://www.nytimes.com/2006/08/21/technology/21pedo.html?ei=5094&en=79822c4e3a3e6773&hp=&ex=1156219200&partner=homepage&pagewanted=all|3= EICHENWALD, Kurt. ''From Their Own Online World, Pedophiles Extend Their Reach'', [[New York Times]]'', August 21, 2006]</ref>| [[New York Times]]}}

== {{Veja também}} ==
* [[Rede internacional de pedofilia]]
* [[Abuso sexual de menores]]
* [[Shotakon]]
* [[DPA]] - Danish Pedophile Association, dinamarquesa   
* [[Krumme 13]], alemã   
* [[MARTIJN]], neerlandesa    
* [[NAMBLA]] - North American Man/Boy Love Association, americana   
* [[NVD]] - Naastenliefde, Vrijheid & Diversiteit, partido político neerlandês
* [[Relatório Rind]] -  Metanálise das conseqüências do abuso sexual infantil, a partir de casos não clínicos
* [[René Guyon Society]], americana 

{{referências}}

== {{Ligações externas}} ==
* {{link|en|2=http://www.nytimes.com/2006/08/21/technology/21pedo.html?ei=5094&en=79822c4e3a3e6773&hp=&ex=1156219200&partner=homepage&pagewanted=all|3="From Their Own Online World, Pedophiles Extend Their Reach" By Kurt Eichenwald, ''[[New York Times]]'', August 21, 2006}}

[[Categoria:Ativismo pedófilo| ]]

[[ca:Activisme pedòfil]]
[[de:Pädophilenbewegung]]
[[en:Age of consent reform]]
[[eo:Pedofilia aktivismo]]
[[es:Movimiento activista pedófilo]]
[[fi:Pedofiliaan liittyvä aktivismi]]
[[fr:Apologie de la pédophilie]]
[[ia:Activismo pedophile]]
[[io:Pedofilia aktivismo]]
[[ja:少女愛運動]]
[[la:Activismus paedophilus]]
[[oc:Activisme pedofil]]
[[sv:Reform av den sexuella myndighetsåldern]]