Revision 31096520 of "Selma Rocha" on ptwiki

{{Info/Biografia
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|nome_completo        = Maria Selma de Moraes Rocha
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|local_nascimento     = [[São Paulo]], capital
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|ocupação             = Educadora, historiadora
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'''Maria Selma de Moraes Rocha''' ([[São Paulo]], 24 de outubro de 1959) é uma historiadora, educadora e política brasileira filiada ao Partido dos Trabalhadores (PT). É doutoranda em História pela [[Universidade de São Paulo]]. Trabalhou no ensino fundamental e médio e superior em escolas públicas e privadas. Ela foi assessora da [[Secretaria Municipal de Educação de São Paulo]] entre os anos de 1989 e 1992, durante as administrações dos ex-secretários [[Paulo Freire]] e [[Mario Sergio Cortella]] na prefeitura de [[Luiza Erundina]]. É ex-secretária de educação da cidade de Santo André, no ABC paulista, na administração de [[Celso Daniel]] em 1997, e chefe de gabinete da Secretaria de Educação na gestão da ex-prefeita do município e atual senadora, [[Marta Suplicy]] (PT), em 2001.

Após o fim do mandato de Erundina, Selma trabalhou na [[Câmara Municipal de São Paulo]], como assessora do vereador Maurício Faria (PT), onde permaneceu até 1996. Um ano depois, Selma foi convidada pelo então prefeito da cidade de [[Santo André]], Celso Daniel, a assumir a administração da Secretaria Municipal de Educação. Apesar do período de forte encolhimento dos recursos aos municípios que se abateu no mandato do ex-presidente [[Fernando Henrique Cardoso]] (PSDB) e geraram à época restrições orçamentárias, os esforços pela melhoria da relação de educação na cidade resultaram em projetos premiados.

Durante sua administração em Santo André, Selma coordenou congressos sobre a educação na cidade em parceria com parlamentares das três esferas, sociedade civil  (englobando movimentos e sindicatos) e empresários. A iniciativa inspirou a coordenação de programas voltados à educação durante o governo do ex-presidente [[Luiz Inácio Lula da Silva]] (2003 - 2010). Antes, em 1994, Selma já havia elaborado as propostas da área na campanha presidencial de Lula. O movimento "Nenhuma Criança Fora da Escola", difundido durante a campanha presidencial petista, foi fruto de uma proposta nacional formulada no plano institucional e no [[movimento social]] organizada pela Comissão Nacional de Assuntos Educacionais do PT (Caed), cuja Selma faz parte.

Em 2001, como chefe de gabinete no governo de Marta Suplicy, ajudou a implantar os Centros Educacionais Unificados (CEUs) e o programa Leva e Traz, de transporte gratuito entre a casa e [[escola]] aos alunos das escolas da rede municipal.

Selma assumiu em 2003 a diretoria da [[Fundação Perseu Abramo]], tal como a coordenação do curso de formação política do PT, a Escola Nacional de Formação do PT (ENFPT). Ajudou também na elaboração dos programas direcionados à educação para a campanha eleitoral da presidenta [[Dilma Rousseff]], no ano de 2010.


=== Vida ===

[[File:Selma julio 1985.jpg|thumb|Add caption here]]

Filha da corretora de imóveis aposentada Neusa Aparecida de Moraes e do advogado Alceu Mendes Rocha, Selma nasceu na [[Vila Prudente]], bairro da zona leste da capital paulista. É a segunda filha de uma família de cinco irmãos. Teve sua formação básica, fundamental e média no [[Sesi]] e em escolas públicas e superior na Universidade de São Paulo (USP).

Começou a trabalhar cedo para ajudar na renda familiar e já aos 17 começou a lecionar no ensino básico da rede pública municipal.

Em 1978, Selma ingressou na USP no curso de História. Um ano antes se simpatizou com as manifestações estudantis que deram início à transformação política do pais contra a ditadura. Dentro da universidade, ela passou a ter maior contato com os movimentos participando da refundação da [[União Nacional dos Estudantes]] (UNE). 

Em 1982, ela deu à luz ao seu filho, Julio. Hoje é avó de duas meninas.

=== Militância política === 

[[File:Selma discursando.jpg|thumb|Selma no Congresso Brasileiro Extraordinário da FENOE, em 1990]]

Durante os anos 1970, Selma começou a fazer reuniões dos movimentos pela liberdade democrática. Entre estas manifestações, participou do Movimento Contra a [[Carestia]], em 1978, que visou protestar contra o alto custo de vida naquele período. Ainda proibidas nos anos de [[regime militar]], as manifestações públicas na [[Praça da Sé]] - no centro de São Paulo - reuniram milhares de pessoas, duramente reprimidas pela Polícia Militar. O movimento havia recolhido 1,3 milhão de assinaturas contra a carestia.

No contexto das lutas dos movimentos estudantis pela liberdade e das greves históricas comandadas por Lula na região do [[ABC paulista]] contra o [[arrocho salarial]], Selma participou de forma ativa da fundação do [[Partido dos Trabalhadores]] (PT) em 1980, colhendo assinaturas e fazendo mobilizações. Com base na organização sindical, o partido surgiu com a proposta de uma nova forma de [[socialismo democrático]].

Em 1985, após o movimento das “[[Diretas Já]]” e a abertura do país à [[democracia]], Selma começou a empregar seus conhecimentos como educadora junto aos projetos e propostas do partido.

=== Experiência na Educação ===

[[File:Selma Rocha e Celso Daniel.jpg|thumb|Selma enquanto secretária de educação em Santo André, ao lado do então prefeito Celso Daniel]]

O eixo principal da atuação de Selma na área da educação é democratizar e integrar a sociedade nas políticas direcionadas para a melhora da qualidade do sistema de ensino nas cidades. <ref>Selma Rocha fala sobre o sistema educacional no país - Revistae. [SESC/SP]– n° 136 – setembro 2008http://www2.fpa.org.br/entrevista-selma-rocha-fala-sobre-o-sistema-educacional-no-brasil</ref>
Na Secretaria Municipal de Educação de São Paulo (1992), como assessora parlamentar, Selma fez a relação com a Câmara Municipal e negociou - entre outros projetos com foco em políticas educacionais - o Estatuto do Magistério com os sindicatos, movimentos sociais e, sobretudo, com os parlamentares. O projeto foi aprovado em unanimidade naquela gestão.

Ela acompanhou o colegiado central (formado pelos próprios integrantes da secretaria) na discussão global nas discussões sobre o planejamento da política educacional. Naquele momento, a cidade de São Paulo era a mais representativa entre os outros municípios com prefeituras petistas, por [[dimensão]] e [[orçamento]]. Enquanto desempenhava a assessoria, Selma passou a coordenar a Comissão Nacional de Assuntos Educacionais do PT (Caed) <ref>Atuação de Selma Rocha na Comissão Nacional de Assuntos Educacionais do PT (Caed) http://domain.br.inter.net/sgp/caed/historia.htm</ref>, que reunia lideranças dos movimentos populares e sindical, intelectuais, prefeituras e parlamentares em todos os níveis.

Enquanto assessora, também fez parte da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação do Estado de São Paulo (Undime). Sua atuação contribuiu com a articulação de vários secretários em uma série de mobilizações suprapartidárias em todo o país.

[[File:Campanha "Nenhuma Criança Fora da Escola".jpg|thumb|A campanha "Nenhuma Criança Fora da Escola", coordenado por Selma para a campanha de Lula em 1994]]

Quando iniciou o trabalho em [[Santo André]], Selma transferiu a experiência adquirida na prefeitura da capital e introduziu transformações emblemáticas na gestão pública para a área de educação. As medidas com maior destaque foram a administração da secretaria de forma democrática e integrada a partir de colegiados central e intermediário da secretaria, a democratização do acesso à educação e a qualidade social do [[ensino]]. Além disso, impulsionou o projeto “Pela Vida, Não à Violência”, de temática inédita em Santo André, e que serve até hoje de referência para políticas de inclusão social e redução da violência nas escolas. As propostas tiveram projeção nacional e passaram a ser adotadas nas diretrizes do programa das candidaturas de Lula nas campanhas presidenciais.

Selma também impulsionou a participação popular na sua gestão com a criação do Fórum Municipal de Educação de participação popular livre, que levou às conferências municipais para a construção do Plano de Educação na cidade. Ao fim da administração, Santo André tinha um plano de ações que não tratava somente do âmbito municipal, mas referia-se também à rede privada, [[estadual]] e [[federal]].

A gestão da ex-secretária entendeu a democratização do acesso dos alunos às escolas não só como a matrícula em si, mas como [[planejamento]] da rede física (escolas, centros educacionais) e da demanda, a fim de evitar problemas como a falta de vagas nas escolas. <ref>Entrevista sobre educação – “Para Selma Rocha, escola deve ser um pólo de construção e difusão de cultura” – Fundação Perseu Abramohttp://www.fpabramo.org.br/artigos-e-boletins/artigos/selma-rocha-escola-deve-ser-um-polo-de-construcao-e-difusao-de-cultura</ref> Outro tópico foi o planejamento de recursos humanos, de reformas, política de manutenção dos prédios e equipamentos, planejamento da compra de materiais pedagógicos, entre outros. Os módulos foram construídos junto com a rede municipal, com a participação da [[comunidade]] nas discussões dos conselhos.

A terceira diretriz adotada por Selma contemplou a qualidade do ensino. A função social da escola, segundo ela, é construir conhecimento e não reproduzir informação. Isso supõe o direito de que todas as crianças tenham acesso a todas as áreas do conhecimento, resultante da integração articulada da formação permanente de professores, reorientação curricular e gestão [[pedagógica]] (horário na jornada para as reuniões pedagógicas semanais).

=== Parceria com Paulo Freire ===

[[File:Selma Rocha com Mario Sergio Cortella e Paulo Freire.jpg|thumb|Add caption here]]

O educador [[Paulo Freire]] - Patrono da Educação no país, considerado um dos maiores pensadores da história da [[pedagogia]] mundial<ref> Nova Escola - Reportagem Paulo Freire, o mentor da educação para a consciência</ref> - é a grande inspiração do trabalho de Selma. Ela o conheceu quando assessora na Secretaria Municipal de Educação de São Paulo, enquanto ele era o secretário nomeado na gestão de Luiza Erundina na prefeitura. O trabalho conjunto durou um ano, entre 1989 e 1990. Mas a oportunidade foi, de acordo com Selma, "uma das experiências mais significativas" de sua vida profissional. A parceria entre os dois levou à construção da gestão coletiva, ao passo em que se construía a política educacional baseada na interlocução dos dirigentes e equipes nas escolas.

Em entrevista à Revista Proposta, Selma definiu Paulo Freire como um homem de "conduta que impressionava pelo compromisso cotidiano com a coerência (...) que fazia esforço para educar e se educar, apostava na construção de sujeitos que se educam e educam ao mesmo tempo. (...) Sua autoridade moral e intelectual e seu compromisso com a coerência permitiam que a secretaria abrigasse experiências diversas e contribuíam para a interação entre pessoas e equipes".Para Selma, Paulo Freire foi dentre as pessoas com quem trabalhou uma das que mais demonstrou capacidade de ouvir, “isto é, de atribuir significado ao que escuta. Dialogar com aquilo que escuta. Esse respeito profundo por aquilo que fazíamos e pensávamos nos convidava a ser cada vez mais responsáveis e cuidadosos com cada coisa que fazíamos e falávamos”. <ref>(Revista Proposta, nº 113)</ref>

Na passagem de Freire na secretaria municipal, o método trouxe, além da aprovação do Estatuto do Magistério Público Municipal (lei nº 11.229 de 1992), a implantação do Movimento de Alfabetização (Mova), modelo que buscou combater o analfabetismo entre jovens e adultos. Ainda é adotado por diversas administrações petistas no país e no âmbito federal. A experiência de gestão coletiva tinha como referência o estabelecimento de relações de diálogo como condição da construção do pensamento e da prática comum. "Paulo Freire foi, a meu juízo, um dos maiores responsáveis para que esta ambiência estivesse assegurada.” <ref>(Revista Proposta, nº 113)</ref>

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Ficheiro:[[File:Selma infancia.jpg|thumb|Selma ao lado de seus pais quando criança]]
Ficheiro:[[File:Selma reuniaocomartistas.jpg|thumb|Selma Rocha em reunião com artistas em prol de Luiza Erundina]]
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