Difference between revisions 238467 and 238627 on ptwikisource{{navegar |obra=[[Assim falou Zaratustra]] |autor=Friedrich Nietzsche |seção=Primeira parte |anterior=[[Assim falou Zaratustra/Da Árvore da Montanha|Da Árvore da Montanha]] |posterior=[[Assim falou Zaratustra/Da Guerra e dos Guerreiros|Da Guerra e dos Guerreiros]] |notas= }} “Há pregadores da morte, e a terra está cheia de indivíduos a quem é preciso pregar que desapareçam da vida. A terra está cheia de supérfluos, e os que estão demais prejudicam a vida. Tirem-nos desta com o engodo da “eterna”! “Amarelos” se costuma chamar aos pregadores da morte, ou então “pretos”. Eu, porém, quero apresentá-los também sob outras cores. Terríveis são os que têm dentro de si a terra, e que só podem escolher entre as concupiscências e as mortificações. Nem sequer chegariam a ser homens esses seres terríveis. Preguem, pois, o abandono da vida, e vão-se eles também! Eis os tísicos da alma. Mal nasceram e já começaram a morrer, e sonham com as doutrinas do cansaço e da renúncia. Quereriam estar mortos, e nós devemos santificar-lhes a vontade. Livremo-nos de ressuscitar esses mortos e de lhes violar as sepulturas. Encontram um doente, um velho ou um cadáver, e depois dizem: “Reprove-se a vida!” Os reprovados, contudo, são eles unicamente, assim como os seus olhos que só vêem um aspecto da sua existência. Sumidos na densa melancolia e ávidos dos leves acidentes que matam, esperam cerrando os dentes. Ou então estendem a mão para doces e zombam das suas próprias criancices: estão encostados à vida como uma palha, e escarnecem de se apoiarem a uma palha. A sua sabedoria diz: “Louco é aquele que pertence à vida, mas, assim somos nós loucos! E esta é a maior loucura da vida!” “A vida não é mais do que sofrimento”, dizem outros, e não mentem. Tratai pois de abreviar a vossa. Fazei cessar a vida que é só sofrimento! Eis o ensinamento da vossa virtude: “Deves matar-te a ti mesmo! Deves desaparecer diante de ti mesmo!” “A luxúria é pecado — dizem alguns dos que pregam a morte. — Separemo-nos e não engendremos filhos!” “É doloroso dar à luz — dizem os outros. — Para que se há de continuar a dar à luz?” E também eles são pregadores da morte. “É preciso ser compassivo — dizem os terceiros — Recebei o que tenho. Recebei o que sou! Assim me prendo menos à vida”. Se fossem verdadeiramente compassivos procurariam desgostar da vida o próximo. Serem maus, seria a verdadeira bondade. Eles, porém, querem libertar-se da vida. Que lhes importa prender outros a ela mais estreitamente com as suas cadeias e as suas dádivas? E vós outros também, vós que levais uma vida de inquietação e de trabalho furioso, não estais cansadíssimos da vida? Não estais bastante sazonados para a pregação da morte? Vós todos que amais o trabalho furioso e tudo o que é rápido, novo, singular, suportai-vos mal a vós mesmos: a vossa atividade é fuga e desejo de vos esquecerdes de vós mesmos. Se tivésseis mais fé na vida, não vos entregaríeis tanto ao momento corrente; mas não tendes fundo suficiente para esperar nem tão pouco para a preguiça. Por toda parte ressoa a voz dos que pregam a morte, e a terra está cheia de seres a que é mister pregar a morte. Ou “a vida eterna” — que para mim é o mesmo — contanto que se vão depressa”. Assim falava Zaratustra. [[categoria:Assim falou Zaratustra|109]] [[es:Zaratustra 10:De los predicadores de la muerte]] [[fr:Ainsi parlait Zarathoustra/Première partie/Des prédicateurs de la mort]]⏎ [[hy:Այսպէս խօսեց Զրադաշտը/Առաջին մաս/Մահ քարոզողների մասին]] All content in the above text box is licensed under the Creative Commons Attribution-ShareAlike license Version 4 and was originally sourced from https://pt.wikisource.org/w/index.php?diff=prev&oldid=238627.
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