Difference between revisions 238468 and 238634 on ptwikisource{{navegar |obra=[[Assim falou Zaratustra]] |autor=Friedrich Nietzsche |seção=Primeira parte |anterior=[[Assim falou Zaratustra/Dos Pregadores da Morte|Dos Pregadores da Morte]] |posterior=[[Assim falou Zaratustra/Do Novo Ídolo|Do Novo Ídolo]] |notas= }} “Não queremos que os nossos inimigos nos tratem com indulgência, nem tão pouco aqueles a quem amamos de coração. Deixai-me, portanto, dizer-vos a verdade! Irmãos na guerra! Amo-vos de todo o coração; eu sou e era vosso semelhante. Também sou vosso inimigo. Deixai-me, portanto, dizer-vos a verdade! Conheço o ódio e a inveja do vosso coração. Não sois bastante grandes para não conhecer o ódio e a inveja. Sede, pois, bastante grandes para não vos envergonhardes disso! E se não podeis ser os santos do conhecimento, sede ao menos os seus guerreiros. Eles são os companheiros e os precursores dessa entidade. Vejo muitos soldados; oxalá possa ver muitos guerreiros. Chama-se “uniforme” o seu traje; não seja, porém, uniforme o que esse traje oculta! Vós deveis ser daqueles cujos olhos procuram sempre um inimigo, o vosso inimigo. Em alguns de vós se descobre o ódio à primeira vista. Vós deveis procurar o vosso inimigo e fazer a vossa guerra, uma guerra por vossos pensamentos. E se o vosso pensamento sucumbe, a vossa lealdade, contudo, deve cantar vitória. Deveis amar a paz como um meio de novas guerras, e mais a curta paz do que a prolongada. Não vos aconselho o trabalho, mas a luta. Não vos aconselho a paz, mas a vitória. Seja o vosso trabalho uma luta! Seja vossa paz uma vitória! Não é possível estar calado e permanecer tranqüilo senão quando se têm flechas no arco; a não ser assim questiona-se. Seja a vossa paz uma vitória! Dizeis que a boa causa é a que santifica também a guerra? Eu vos digo: a boa guerra é a que santifica todas as coisas. A guerra e o valor têm feito mais coisas grandes do que o amor do próximo. Não foi a vossa piedade mas a vossa bravura que até hoje salvou os náufragos. Que é bom? — perguntais. — Ser valente. Deixai as raparigas dizerem: “Bom é o bonito e o meigo”. Chamam-vos gente sem coração; mas o vosso coração é sincero, e a mim agrada-me o pudor da vossa cordialidade. Envergonhai-vos do vosso fluxo, e os outros se envergonham do seu refluxo. Sois feios? Pois bem, meus irmãos; envolvei-vos no sublime, o manto da fealdade. Quando a vossa alma cresce, torna-se arrogante, e há maldade na vossa elevação. Conheço-vos. Na maldade, o arrogante encontra-se com o fraco, mas não se compreendem. Conheço-vos. Só deveis ter inimigos para os odiar, e não para os desprezar. Deveis sentir-vos orgulhosos do vosso inimigo; então os triunfos dele serão também triunfos vossos. A revolta é a nobreza do escravo. Seja a obediência a vossa nobreza. Seja a obediência o vosso próprio mandato! Para o verdadeiro homem de guerra soa mais agradavelmente “tu deves” do que “eu quero”. E vós deveis procurar ordenar tudo o que quiserdes. Seja o vosso amor à vida amor às mais elevadas esperanças, e que a vossa mais elevada esperança seja o mais alto pensamento da vida. E o vosso mais alto pensamento deveis ouvi-lo de mim, e é este: o homem deve ser superado. Vivei assim a vossa vida de obediência e de guerra. Que importa o andamento da vida! Que guerreiro quererá poupar-se? Eu não uso de branduras convosco, amo-vos de todo o coração, irmãos na guerra!” Assim falava Zaratustra. [[categoria:Assim falou Zaratustra|110]] [[es:Zaratustra 11:De la guerra y los guerreros]] [[fr:Ainsi parlait Zarathoustra/Première partie/De la guerre et des guerriers]]⏎ [[hy:Այսպէս խօսեց Զրադաշտը/Առաջին մաս/Պատերազմի ու ռազմիկների մասին]] All content in the above text box is licensed under the Creative Commons Attribution-ShareAlike license Version 4 and was originally sourced from https://pt.wikisource.org/w/index.php?diff=prev&oldid=238634.
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