Difference between revisions 291811 and 291812 on ptwikisource{{Alinhado à direita|<b>Em ''A República'' (514a-517c) de Platão</b> }} <b>Sócrates:</b> Imagina agora o estado da natureza humana com respeito à ciência e à ignorância, conforme o quadro que dele vou esboçar. Imagina uma caverna subterrânea que tem aem toda a sua largura uma abertura por onde entra livremente a luz e, nessa caverna, homens agprilhosionados desde a infância, de tal modo que não possam mudar de lugar nem volver a cabeça devido às cadeias que lhes prendem as pernas e o tronco, podendo tão-só ver aquilo que se encontra diante deles. Nas suas costas, a certa distância e a certa altura, existe um fogo cujo fulgor os ilumina, e entre esse fogo e os prisioneiros depara-se um caminho dificilmente acessível. Ao lado desse caminho, imagina uma parede semelhante a esses tapumes que os charlatães de feitra colocam entre si e os espetadores para esconder destes o jogo e os truques secretos das maravilhas que exibem. <b>Glauco:</b> Estou a imaginar tudo isso. <b>Sócrates:</b> Imagina homens que passem para além da parede, carregando objetos de todas as espécies ou pedra, figuras de homens e animais de madeira ou de pedra, de tal modo que tudo isso apareça por cima do muro. Os que tal transportam, ou falam uns com os outros, ou passam em silêncio. <b>Glauco:</b> Estranho quadro e estranhos prisioneiros! <b>Sócrates:</b> E, no entanto, são ponto por ponto tal qual como nós. Em primeiro lugar, julgas que percepcionarão outra coisa, de si mesmos e dos que se encontram a seu lado, além das sombras que na sua frente se produzem, no fundo da caverna? <b>Glauco:</b> Que outra coisa poderão ver, pois que, desde o nascimento, foram compelidos a conservar a cabeça permanentemente imóvel? <b>Sócrates:</b> Verão, apesar disso, outras coisas além dos objetos que passam à sua retaguarda? <b>Glauco:</b> Não. <b>Sócrates:</b> Se pudessem conversar uns com os outros, não concordariam em dar às sombras que vêeem os nomes dessas mesmas coisas? <b>Glauco:</b> Sem dúvida. <b>Sócrates:</b> E se no fundo da sua prisão houvesse eco que repetisse as palavras daqueles que passam, não imaginariam que ouviam falar as sombras mesmas que desfilam diante dos seus olhos? <b>Glauco:</b> Sim. (contracted; show full)rto. Pelo que me toca, a coisa afigura-se-me tal como te vou comunicar. Nos últimos limites do mundo inteligível encontra-se a ideia do bem, que só com dificuldade se percebe, mas que, todavia, não pode ser percebida sem que se conclua que ela é a causa primeira de quanto há de bom e de belo no universo; que ela, neste mundo visível, produz a luz e o astro do qual a luz irradia diretamente; que, no mundo visível, engendra a verdade e a inteligência; que é preciso, enfim, ter os olhos fitos nessa ideia, se nos quisermos conduzir-nos honestamente na vida pública e privada. <b>Glauco:</b> Na medida em que pude compreender a tua ideia, concordo contigo. <b>Sócrates:</b> Tens, pois, de admitir e não estranhar que aqueles que alcançaram essa sublime contemplação desdenhem da intervenção nos assuntos humanos e que as suas almas aspirem, incessantemente, a fixar-se nesse lugar eminente. Assim deve ser, se isto está em conformidade com a pintura alegórica que esbocei. <b>Glauco:</b> Assim deve ser. [[Categoria:Filosofia]] [[Categoria:Platão]] All content in the above text box is licensed under the Creative Commons Attribution-ShareAlike license Version 4 and was originally sourced from https://pt.wikisource.org/w/index.php?diff=prev&oldid=291812.
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